quinta-feira, 14 de maio de 2009

Antisepsis

Pushed undercoat
by sterile gauze
I lose
my beauty
the sunshine
You gave me

Yoked
by antisepsis
making me fearful
not lovable
I sleep cowardly
with the foolish kind
of wise

instead of learning
to love


I distrust them

for I've seen
what they're capable of
in armoirs
of secret skeletons
though
convincing otherwise


I seem to understand
the man from Galilee
better these days
as he walks among
the putrid
infectious

downtrodden of Nazareth

of whom by chance
I became a part
and so prefer to exchange
my holiness for their sin

as I've seen

it's better to be
sinful rather than
become childless
hidden in the dusky closet

of drunken probity


For what is justice?
What is godliness?

What is love?

Except for me to stand
before You face to face

and be moulded by your
shine and revealing
thoughts

terça-feira, 5 de maio de 2009

Da Natureza Revisitada ou o Dealbar de um Novo Dia




De profundis clamavi ad te, Domine

Revisitando lugares
por Ti
despertos em mim
tornados Vida
ardente expectação
inclino-me
pego em sementes
deliberadamente lançadas
nos sulcos do meu espírito

Trago à memória Palavras
inscritas no branco
da madeira talhado
com tinta humana

Promessas de curso de água
qual fluxo emanado da cabeça
de um rei

conduzido por Teu Espírito

a lugares secos escabrosos
da popular cultura eclesiástica
assumida por Teu Povo
por demasiado tempo

sem resultado

Mostras-me a glória da segunda Casa
do novo Templo espiritual
não absorvido pelas coordenadas
do espaço e do tempo

Guias-me
através de Teu irresistível olhar

Abres outra porta diante de mim

Aparição de novo caminho
que é afinal desde a eternidade

Sei que serás minha vanguarda evolutiva
meu devir histórico

Assentar-Te-ás à minha sombra
surpreendendo incessantemente
meu Devorador pessoal

Fazes-me promessas de Amor
juras à minha posteridade

Dizes que nela confirmarás
a obra saída de minhas mãos
e as palavras de minha boca

A tantos quantos meu coração
se entregar
por Amor de Ti
por quantos vier a morrer
para guardar com Vida
Tua aliança que permanece
intacta para sempre

A tantos quantos me deres

prometes que serás seu ouvido
e seu entendimento
que tomarão posse da Terra
juntamente com todas
as Tuas gerações


Dás-me sonhos humorados

Fazes-me viajar por quadros
bem pintados em tela
de complexa simplicidade
entrelaçada

Mostras-me religiosos
assim como "ímpios"

Quem aguarde "hóstia santa"
e quem tenha fome de letras vivas

«Aos primeiros, os das hóstias simbólicas»
dizes jucosamente
«não lhes será dado mais
que "batata frita"»

passada por Teu óleo escaldante
óleo que queimará o que quiseres
e pelo sal
que lhe conferirá agradável
paladar

Pelo espanto em seus rostos vejo
que ainda não Te contemplaram
de verdade
Deixa, então, que provem Teu
delicioso appetizer

«Um Livro
será colocado à mão direita
dos últimos
os que supostamente Me não buscam
dentre poderosos
intelectuais
ateias e banais celebridades
e outras vaidades

o qual degustarão
com particular deleite
e em si estará presente
quando se assentarem em juízo
julgando Nações, Povos e seus Príncipes»


Vejo igualmente um mercado
onde a agitação dos que limpam
e vendem peixes
é verdadeiramente desoladora

Lá me encontro observando
quem procura comprar
pelo menor preço possível
assim como quem intenta vender
sem grande lucro perder

É visão angustiante
pois sei que é tempo de crise individual
de profusas trevas sobre a terra

e não escolheram a melhor parte
a que prometeste a dado passo
que não lhes seria de modo algum
roubada

A meio do sonho, um rosto
familiar

Trata-se de alguém que caminha publicamente
exibindo um sorriso
Mas cujo espírito vejo aqui
desorientado
mortificado por intensos trabalhos
quase inúteis

A certa altura é-lhe trocada a
posição geográfica no mercado
Mas nem assim se esfumam
a perturbação e o cansaço
daquela linda face
cedo designada para espelhar
a Tua glória

Fico obcecada com a revelação

Quem me dera soprar-lhe
da sublime contenença
toda a espessa nuvem

de bafientas preocupações gestativas
e típicos receios de parturiente


Agarram-se a metodologias corroídas
pelo tempo
a processos historicamente rançosos

pretendendo
chegar ao fim com vida
não a Tua, mas a sua

Tendo Tu de antemão advertido
quem quisesse salvar a sua alma
que acabaria por perdê-la

Estes fizeram do Teu Templo
quatro paredes de concreto

e da Tua Herança massas anónimas
de gente

invisível por maior destaque
que lhe seja dado no palco

inaudível por maior que seja
a amplificação do grito
dolorosamente sufocado
em suas gargantas

intocável
pobre
em seus gélidos e inseguros
abraços

que precisa ainda de Teus profetas
para saber que Tu a observas
atentamente

detidamente

e a consideras Realeza
lugar de Nobre Aliança
e de firme potencial

Cambistas e homens de negócio
juntamente
profanaram Teu lugar espiritual
de culto
fazendo dele o que jamais ocorrera
ao Teu Espírito fazer

apegando-se a clerical padrão
no âmago
fatalmente ferido

escondendo-se em penumbroso cenáculo

negando o sopro que enviaste
para movê-los
a fim de pô-los em marcha
impelindo-os para as ruas

do Teu testemunho

onde se assentam os presos
em frias cadeias tenebrosas

lugares por onde jazem
estropiados cegos
adormecidos
desprovidos de entendimento
e de visão
sem caminho aberto diante de si

sem ouvidos aptos
para escutarem o Teu Som

peixes de todas as dimensões e espécies

por Ti

cultural
civilizacional
espiritualmente

considerados

Esquecem o profético episódio
em que Teu Filho se viu
compelido a remodelar-lhes
o paradigma de culto

expulsando os que vendiam
como os que compravam

obrigando-os
por força de distintas
circunstâncias
a sair do confortável lugar
escavado na penumbra
das coisas que apenas possuem
aparência de santidade

deitando por terra as mesas
dos que trocavam a Tua moeda
por outra

e as cadeiras dos que vendiam
pombas intentando
aprisionar Teu Espírito
em torno de seu próprio desígnio

de sua tacanha visão terrena
sobre medíocres
métodos de frutificação
implementação e crescimento
de um Reino nascido

em Ti
de Ti
por Ti
para Ti

que é afinal escândalo
para os da Tua própria Raça

e loucura para os que se consideram
sabiamente instruídos
por Teu conselho


Mas Tu escondes-Te
em quem não tem já medo
de cavalgar nas asas do Teu vento

de arrazoar juntamente
com Tuas múltiplas linguagens
culturais

de buscar-Te com saudade
no Teu esconderijo

porquanto não teme o homem
nem seus esquemas vulgares

e descobriu o Amor que lhe foste
entretanto aperfeiçoando
ao longo da experimental jornada

Descerras então as cortinas
para que se veja
a mesa infinita do Teu banquete
real

e todos os Teus convivas

majestosamente sentados


Um novo dia nasce mais uma vez
alvejando o horizonte
do meu coração

terça-feira, 10 de março de 2009

Exilados - II

«Cantem ao Senhor um novo cântico,
seu louvor desde os confins da terra,
vocês, que navegam no mar,
e tudo o que nele existe,
vocês, ilhas, e todos os seus
habitantes.
Que o deserto e as suas cidades
ergam a sua voz (...)»
Is. 42:10, 11a




Conclamados


Despertos por um novo cântico matinal


Assim acordaste Teus deportados



Levantaram-se


Despertaram-Te


como a um guerreiro entusiasmado


pelo vinho novo do Teu Espírito



Tal és Tu


Paz para os que Te encontram


homem de guerra


para os que Te oprimem


para os que oprimem a Tua herança



Grito vibrante na peleja


Suscitas um novo canto


em nossas gargantas


Tanges as Tuas cordas eternas



Não mais silêncio


Coração excitado


por Tua forte bebida



Doxologia perfeitamente extraída


das bocas de criancinhas de colo


que por sua singela maneira de ser


se dispõem a Teu arremesso



a visitar lugares ocultos


à memória dos homens



a navegar


em Teus mares


onde mergulha


toda a sorte de peixes


pequenos e grandes


e se banham outras criaturas



variedade incessante do Teu Amor



a ser porção seca


rodeada por Tua enchente


isolada por Teu mar



a ser deserto


árido e estéril


por um tempo


ou tempos


ou fracção de tempo



sinal para muitos


que Te procuram


sem Te acharem


sem reconhecerem Tua santidade


invisível




Dá-nos um homem que seja


limite


mar


ilha


deserto



para que testifique


e faça aparente


o que se não vê



Não nos dês ajuntamentos inúteis


possibilidades infinitas


terra firmemente familiar ou conhecida


amizades superficiais


que continuamente nos abracem


ou fontes que nos impeçam de ter


outra vez sede de Ti



Dos limites da terra


dos mares


das ilhas


dos desertos


extrairás louvor agradável


e os marcarás


como sinal perpétuo


aceitável e perfeito


para aqueles que os observam



Então será finalmente


reconhecida a tua justiça


e visível a santidade que transportam


os exilados do mundo

Encontro Matinal

Janela ao sol.
Abert' à fonte
vivificante de luz.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Exilados - I

«Portanto diga: Assim diz o Soberano, o Senhor: Embora eu os tenha mandado para terras muito distantes entre os povos e os tenha espalhado entre as nações, por breve período tenho sido um santuário para eles nas terras para onde foram. Portanto, diga: Assim diz o Soberano, o Senhor: Eu os ajuntarei dentre as nações e os trarei de volta das terras para onde vocês foram espalhados, e lhes devolverei a terra de Israel. Eles voltarão para ela e retirarão todas as imagens repugnantes e os seus ídolos detestáveis. Darei a eles um coração não dividido e porei um novo espírito dentro deles; retirarei deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.»




Ez. 11: 16-19








«Tu repreendes e disciplinas o homem por causa do seu pecado;


como traça destróis o que ele mais valoriza;


de fato, o homem não passa de um sopro.»






Sl. 39:11








«Meu filho,


não despreze a disciplina do Senhor


nem se magoe com a Sua repreensão,


pois o Senhor disciplina a quem ama,


assim como o pai faz ao filho


de quem deseja o bem.»






Pv. 3:11, 12








«Entre os que me reconhecem incluirei Raabe e Babilónia(...)»






Sl. 87:4








«Junto aos rios da Babilónia nós nos sentámos e chorámos


com saudade de Sião.


Ali, nos salgueiros pendurámos as nossas harpas;


ali os nossos captores pediam-nos canções,


os nossos opressores exigiam canções alegres, dizendo:


"Cantem para nós uma das canções de Sião!"






Como poderíamos cantar as canções do Senhor numa terra estrangeira? (...)






(...) Ó cidade de Babilónia, destinada à destruição (...)»






Sl. 137: 1-4, 8








«Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho.


Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria.


Até nas outras nações se dizia:


"O Senhor fez coisas grandiosas por este povo".




Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós,


por isso, estamos alegres.




Senhor, restaura-nos,


assim como enches o leito dos ribeiros no


deserto.






Aqueles que semeiam com lágrimas,


com cantos de alegria colherão.


Aquele que sai chorando enquanto lança a semente,


voltará com cantos de alegria,


trazendo os seus feixes.»






Sl. 126









«Assim, ao todo houve catorze gerações de Abraão até David,


catorze de Davi até o exílio na Babilónia,


e catorze do exílio até Cristo»






Mt. 1:17








Exilados foram


transportados para longe


da vista


do coração dos homens



Estavam cobertos


de chagas vis


podres escaras que


a anestesiante apatia


acumulara


ao longo de dias de


cruel surda insensível



batalha


por Tua causa travada




Mas foi o Teu Amor


que os levou


a visitarem Babel


lugar de confusão de linguagens


espirituais



e de experiências dolorosas



para darem vida


a seus irmãos


e reanimarem


os prostrados do mundo

em perfeita identificação igualados




Lá os malditos


em ignominiosa ignorância


pediram-lhes cânticos


não discernindo


o Teu Amor que também é Paz


sustento na fome e


abrigo seguro na intempérie



Os cães uivando sempre


declararam-lhes o destino



Julgaram-nos



Disseram deles os religiosos


que se retalham nos templos


sacrificando em vão:



«Acabados estão! Vindo é já o seu fim!»


«Venham celebrar conosco!»



Mas não vêem


que lhes fizeste os caminhos


escorregadios


e podre a sua paz


Para tragá-los


num só momento


quando menos esperam


sem que possa haver socorro




Já os Teus,


caluniados, incompreendidos


humilhados


cuspidos no rosto


expoliados dos seus dons


sacudidos


para longe



completando


as dores do que foi


Ungido para reinar eternamente




Mas Tu mesmo


os arremessaste


para lá


para a terra da sua cura



Feriste-os


para poderes sará-los


Desenganaste-os


para poderes conduzi-los


por caminho plano


fiel


Confiscaste-lhes os bens


para que nada receiem perder



entregando-se


em Tuas mãos invisíveis


seguras


como nenhumas outras



Porquanto são Teus


Não como os bastardos


com quem nada tens em


comum


a quem tampouco conheces


pelo nome



Aqueles são Tua herança


para sempre




Babel é também Tua


Parte intencional do Teu plano


para os filhos dos homens


a quem queres bem



Mas vem o fim, o fim


dela vem!


E não se atrasará



Transitoriedade temporal


objecto limitado


no espaço e no tempo


do Teu insondável


Amor



Sião é, contudo, p'ra sempre


morada permanente de Justiça, Paz e Verdade


recriada da nova semente


incorruptível que plantaste


nos corações ensanguentados



da Tua deportação




A Ti traremos nossos molhos


atados com laços eternos


inquebráveis


Tu os ceifarás de nós



Teu sorriso enigmático


paira sobre todas as Tuas gerações



sobre nosso chamamento


datadas



até ao primo encontro com


o Teu Rei



do nosso avistamento


até ao Teu exílio


para onde nos arremessaste



na Tua sabedoria



do Teu exílio


de volta à face do Teu Rei



até que o Seu atraente


irresistível carácter


afunde


se aperfeiçoe


se confunda



em nós



catorze vezes três


Tua perfeição multiplicada


pelo Teu Filho



confirmação tríplice


do Teu Espírito



humorada simbologia



Tua perfeição


por minha humanidade


perpassada



espiritual insuflação


em narinas


de barro formadas









terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Recriação

«Eles voluntariamente ignoram isto:

que, pela Palavra de Deus,

já desde a antiguidade existiram

os céus e a Terra,

que foi tirada da água e no meio

da água subsiste.»



2 Pe. 3:5















Criados em Teu propósito


uma e outra vez recriados





Céus, Terra, mar e abismo







Morte de milhões de estrelas caídas



universal inundação



Água do fogo nascida



retumbante escuridão





que reacendeste



no cosmos







Sismos, gemido



convulsão planetária



Idade Glaciar cristalizada


Antropomorfias, arautos perpétuos




de que o que é já foi afinal


um dia




o que há-de ser também foi já




e de que pedes conta do que passou


a esta como àquela geração





A perene conclamação do dia:



«Dêem fruto



multipliquem a herança



façam outra vez plena a Terra


reabastecendo-a de justiça



tragam-na sob verdadeiro domínio



A todo o peixe do infinito mar de gente



a cada espírito entre Terra e céu esvoaçante



a toda a espécie de animal indomável



e desprovido de entendimento



que sobre ela se mova



súbditos da eterna autoridade



do Meu inequívoco, irrevogável




irresistível Amor...»





Ah!... A liberdade do Teu Amor!


Que me solta, ante o fogo que despedaça agora


a penha



que desnuda as brenhas



de amanhã...





«Às três, é de vez!»


Vox populi, vox dei





Novos céus, nova Terra





mas já sem abismo separador entre nós


entre o Teu trono e o meu





Lugar de autêntica justiça e paz


da nossa doce intimidade




recriado










vd. «The Bible, Genesis & Geology»,

at http://kjvbible.org































quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Parada Carismática

À frente, fogo.
Numa penumbra, vida
para descobrir.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Árvores - Parte III

«(...) pois a sepultura não pode louvar-te, a morte não pode cantar o teu louvor. (...)
Os vivos, somente os vivos, te louvam (...)»
Isaías 38:18, 19




FIGUEIRAS


«Quem cuida de uma figueira, comerá do seu fruto;
quem cuida do seu senhor, receberá honra»,
dizia já o secular adágio.

A sua razão de existir nem sempre fora, todavia,
suficientemente conspícua ou motivadora.
Seria pelo formalismo sem conteúdo "ex traditione" herdado ou pelo conformismo atado pela cegueira do preconceito, medo do sacrilégio ou simples preguiça inimiga da criatividade?
O que é certo é que o papel na Terra do chamado "povo de Deus" apenas raras vezes fora devidamente entendido e imitado.

Mas, entender o papel da figueira é assunto, porventura, bastante mais simples...
Árvore, fonte de abrigo, sombra, alimento, vida. Folhas e frutos com propriedades terapêuticas desde há muito conhecidas.

Houve uma que, por não matar oportunamente a fome ao seu Senhor, secou, para grande admiração dos transeuntes. Certamente, era esperado desfecho diferente.

Houve outra que foi enxertada no lugar da que secou, ambas agora consideradas sob forma de oliveiras, mananciais de óleo santo. Mas, se a rejeição da primeira foi sinónimo de reconciliação universal, que será a sua aceitação, senão vida dentre os mortos? Pois, Deus tem poder para voltar a enxertá-la.

Que se dirá, igualmente, de rituais mortos e de celebrações formais, nos nossos dias?
O engano da superficialidade com que a figueira transita diariamente tem-na suplantado, atingida que está de tão mortal ferida. Como esperará, por seu esforço, escapar ou trazer bênção às nações, enganando-se a si mesma?

O lugar central de adoração tem sido sistematicamente profanado por todos os que a ele ritualisticamente acorrem, sem discernimento acerca do significado da figueira.
Têm-se esforçado, gritado a plenos pulmões. Continuam, porém, sem fôlego de Vida.
Parafraseando o rei que esteve um dia moribundo, sentenciado à morte, é impossível que a sepultura Te louve, os mortos não podem cantar o Teu louvor ou esperar pela Tua fidelidade. Somente os vivos Te louvam, os pais testemunham da Tua fidelidade aos seus filhos.

Como, pois, se poderá recuperar de tão letal chaga?

A resposta profética foi pronta:
«Apliquem um emplasto de figos na ferida, e sarará!»

Figos... O fruto individual das árvores em questão. O poderoso amor do Espírito diariamente experimentado e consistentemente vivido sob a forma de alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio, contra o qual não existe lei que possa prevalecer e que destrói todas as manifestas obras da inclinação naturalmente carnal.

É esse o sinal de que se pode, afinal, subir legitimamente ao templo do Senhor.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Metamorfose

«Do norte vem luz dourada;
Deus vem em temível majestade.»

- Jó 37:22



Chegaste no meio
da densa tempestade iluminaste o sentimento
Motivaste a cultura do espírito indiviso
solidificado na certeza da Tua liberdade

Falaste do meio
das profusas trevas produziste revelação
Acalmaste a aflição da dúvida constante
pela eterna certeza da Tua interrogação

Declaraste o meio
o processo de libertação do medo da Queda
do permanente dualismo contraditório
pela lei do Espírito e da Tua Vida

Concluíste o processo
encetado sobre o único receio que Te pode servir
o fundamento de um coração que tem pavor
de pecar contra Ti

Trouxeste, afinal, o epílogo
à dor da eterna contradição mortal
pela demonstração da Tua sabedoria
Promessa segura ao temor que te devem

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Árvores - Parte II

Havia um rei na grande e antiga Babilónia, lugar de confusão de línguas e linguagens espirituais, que se tornou o epítome da alegoria das árvores.


A árvore cresceu tanto, que a copa se encostou ao céu, tornando-se visível até aos limites da Terra. Possuía bela folhagem, abundância de frutos bons, que podiam alimentar a todos suficientemente. Debaixo dela, havia abrigo para os animais do campo e as aves habitavam em seus ramos. Todas as criaturas se alimentavam dela.

O seu propósito existencial fora cumprido, qual vida encostada ao Deus vivo, verdadeiro, cuja plenitude é nela espelhada, passando a ser testemunhável por toda a gente, até aos confins da respectiva esfera de influência pessoal e ministerial. Essa pessoa transformara-se, assim, em alguém que cumpria uma visão, executava um mandato específico em nome do que a enviara, consumava uma era, tendo poder para curar feridas espirituais, emocionais e físicas, da mesma sorte que as folhas das árvores que permanecerem junto às águas hão-de servir de remédio que alimente a saúde de muitas nações.
Os frutos visíveis nessa vida eram realmente bons, próprios para consumo, apetecíveis, já que traziam verdadeiro e permanente sustento ao faminto e renovação de forças ao cansado e abatido. O seu "pão" era jogado sobre muitas "águas", não se negando intencionalmente a ninguém. Sob a sua copa, abrigavam-se todos quantos necessitavam da segurança e da sombra por ela providas, de maneira que conseguiam resistir ao forte sopro da tempestade, aos ventos sazonais contrários, assim como aos duros golpes de um sol implacavelmente escaldante, num longo dia de trabalho no campo.

A jornada tornara-se, pois, muitíssimo mais agradável consigo por perto.

Tanto homens, como anjos interagiam com aquele ser, em perfeita simbiose. Os primeiros, abrigando-se e nele encontrando abrigo verdadeiro. Os últimos, trazendo pronta ministração em seu favor, quais serviçais esvoaçantes, que atendem ao suprimento das necessidades dos seus senhores.
Igualmente, toda a casta espiritual adversa lhe estava sujeita, uma vez que executava justiça e exercia autoridade com verdadeira legitimidade, em nome de quem o enviara.


Então se fez ouvir o veredicto. No dia em que andava passeando descansado, satisfeito e próspero no seu palácio, inteiramente absorto na mediocridade dos seus próprios projectos, soou, no alto, a sentinela:

«Derrubem a árvore. Cortem-lhe os ramos. Arranquem-lhe as folhas. Espalhem os seus frutos.

Fujam os animais de debaixo dela e as aves dos seus galhos.

Deixem, porém, o remanescente do tronco com as raízes, agrilhoados com ferro e bronze, no chão, no meio da relva, da qual se alimentará juntamente com os animais, sendo coberto pelo refrescante orvalho celeste. Retirem-lhe o entendimento humano e deixem que se comporte como as bestas da terra até que o ciclo do tempo perfeito se complete, como está determinado a seu respeito.

Assim, se saberá a Quem pertence verdadeiramente o domínio, a autoridade e a glória e que os concede a quem designa, ao mais simples dos homens.»


Deixou que o engano o iludisse. Convenceu-se de que tudo quanto de grandioso lhe sucedera até àquele momento, derivara da sua capacidade e mérito pessoais. E achou que a finalidade de tudo aquilo era o seu próprio engrandecimento individual. Errou quanto ao meio e ao fim. Não quanto ao princípio. Não quanto às raízes, que estavam agora aprisionadas sob correntes humanamente inquebráveis, mas cuja existência representava, talvez, a possibilidade de um novo começo.

Acreditou à boa e estulta maneira de qualquer imbecil maldito, que toda a arquitectura da grande cidade em que habitava tinha sido planeada e edificada por sua própria mão, para sua glória individual.

Poderá haver satisfação mais mesquinha, cega e limitada do que a de não buscar um propósito maior, que nos transcenda a todos?


Tudo quanto fora determinado a seu respeito integralmente se cumpriu.

A mente humana foi-lhe tirada, tendo sido substituída por uma semelhante à dos que nada de realmente importante conseguem discernir. Consentânea, de resto, com a respectiva estultícia. Foi expulso de entre os que detinham autoridade e a quem se imputava a responsabilidade da governação do mundo. Passou a alimentar-se de manjar idêntico ao dos que servem sem discernimento algum. Contudo, seu corpo exposto às vulgares intempéries, era, ao mesmo tempo, banhado pelo orvalho celeste, enquanto seus pêlos e cabelos cresciam lenta e progressivamente, imperceptíveis, até que se tornaram protectoras penas de águia e suas unhas, aguçadas garras de ave.

Findo aquele interlúdio, ergueu os olhos para o Céu. Imediatamente, se apercebeu de que o seu entendimento voltara.
Então, louvou Aquele que lho tinha tomado para voltar a dar-lho.
Cobriu-O com a honra e deu-Lhe a glória que Lhe pertencia.
Compreendeu, finalmente, que Ele vive para sempre, que o Seu domínio é eterno, o Seu reino multigeracional, nada representando os povos da Terra diante de Si. Que age conforme Lhe parece bem para com o mundo espiritual, assim como para com o natural e não há quem Lhe possa resistir ou inteligentemente perguntar "Por que agiste desta forma?"

Miraculosa e inesperadamente, o rei recuperou o entendimento juntamente com a honra e majestade reais de que havia sido despido, bem como a glória do reino de que tinha sido destituído. Seus conselheiros e nobres procuraram-no. Reinvestiram-no no Trono e proporcionaram-lhe ainda maior e mais elevado estatuto do que o anterior.

«Agora eu louvo, exalto e glorifico o Rei dos Céus, porque tudo o que faz é correcto e todos os Seus caminhos são justos. Ele tem poder para humilhar os que vivem com arrogância.»


Até aqui a meditação da Árvore das árvores.
Quem, no meio da floresta, tiver ouvidos para ouvir, ouça.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Árvores - Parte I

Toda a árvore que não frutifica é cortada e toda aquela que dá fruto é podada, a fim de dar ainda mais fruto.

Ambas são cortadas, embora de formas distintas. As duas sofrem a fáctica dor da amputação. Uma, conhecendo a inevitável separação da vida ou a morte da grandiosa finalidade com que foi plantada, que é a morte da sua própria "alma". A outra, o "desmembramento" cirúrgico dos respectivos ramos e a metódica limpeza dos galhos que "se opõem" ao nascimento do fruto comestível, agradável ao paladar e a consequente renovação da vida.

Uma, perdendo irremediavelmente o propósito da comunhão com a fonte que alimenta e preserva a sua existência, acaba por perder, em última análise, a própria comunhão com a mesma fonte. A outra, "perde" apenas o que se interpõe no caminho, impedindo-a de frutificar ainda mais abundantemente.

Somente uma inteligência extraordinária poderá intuir e determinar em absoluto quais os ramos de que se pode esperar ainda suficiente e tragável fruto e aqueles que se encontram irremediável e definitivamente comprometidos, pelo facto do mesmo ser ocasional ou de má qualidade, já que nem tudo o que parece é.

Deixemos, então, as leituras de sentenças para quem está investido no cargo e possui legitimidade para fazê-lo e preocupemo-nos, antes, em "dar fruto" de qualidade, abundante e que satisfaça quem dele necessitar e se quiser alimentar.