terça-feira, 14 de julho de 2009

Elegia contra Babel

Hoje rebelei-me contra ti
lugar seco de minha deportação
(in)voluntária
Babilónia de todos os
esbulhos e perdas pessoais

Lembrei uma vez mais
teu destino individual
Que conforme desapossaste
serás também despojada

Não me dominas
o desejo
nem o pensamento
Não temos sociedade
senão aparente

A ti que continuamente
te embriagas de
escarnecedor e
destrutivo néctar
não passando de vulgar
meretriz
que procede a seu comércio
enquanto 'inda resta tempo

a transeuntes apressados
descuidados em sua jornada
se vendendo

Toda a violência
feita a mim
e à minha carne
te sobrevenha eternamente
ó Babel

Recaia meu sangue
como memorial perpétuo
sobre teus idólatras
moradores
sobre quem te comprar

Seja defendida a minha
causa
desatado o gemido
da minha posteridade
vingada a desonra
do meu deserto
Seque-se teu mar
esgote-se teu manancial
de corrupções e iniquidade

Sejas para sempre feita
monte de destroços
morada permanente de dragões
susto
pavor
assobio

sem um único habitante
em tuas entranhas
de escaldante peçonha

Quando andares saltitando
entusiasmada
despreocupada
devido à excitação
causada p'lo fermento do teu cálice

cairás em profunda sonolência
e não retornarás
à terra dos viventes


Fujam dela os que resistem ainda
muralhados!

Corram por suas vidas
os que têm escapado da espada
e não se detenham no caminho
De longe lembrem-se
do Senhor
Suba a vossos corações
a memória da Santa Cidade


De cima, de cima
do Norte
à Prostituta chegam já
avisados destruidores!

Vejo vultos
arrastados
sobre suas ameias
movendo-se sobrenaturalmente
sem que alguém os detenha
No meio dela farão cair
trespassados de toda a Terra

Percebe-se de longe
um ruído

É som de entulho
despejado
em cósmica vala
comum

Caem escombros
das portentosas muralhas
Seus espessos portões
queimados são
a fogo invisível

Ouve-se o crepitar da
sua chama


«Ainda que Babilónia ascendesse
aos céus
e fortalecesse sua
fortaleza
de Mim procederiam
destruidores
sobre ela»
diz ó Sião
teu Perene Defensor

Nem príncipes
nem sábios
nem profetas
nem juízes
nem valentes
lhe valerão nesse Dia

Pois todos juntamente
acometidos serão
por pesado sono
mortífero
que lhes há-de arrastar a consciência
para cruenta masmorra
infernal
donde jamais regressarão

Todos mutuamente agrilhoados
em grande abismo
mergulhados

Todas as suas forças
para sempre esgotadas
Todos os seus planos
num momento
interrompidos







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